help.

as cuecas e os manetas.

Publicado por: joaquimfsneto em: julho 23, 2009

Esses dias passei por uma situação que parece ser uma simples situação corriqueira, devido o comportamento “normal” de uma criança de cinco, ou seis anos.

Estava sentado, quando a menina estava lendo dessas revistas de fofoca. Ela sabia o nome de todos os artistas. Quando não soube o nome de uma, ela disse “gorducha”. Minha namorada disse: “você chamou todo mundo pelo nome, ela tem nome e provavelmente está escrito aí” e a criança respondeu “mas ela é!”

Parece descomplicado, afinal, tem toda aquela história de que criança não sabe o que diz. O ponto é esse. Se a criança não sabe o que diz, hora de ensiná-la, antes que certos padrões sejam totalmente internalizados e difíceis de sofrerem alterações posteriores.

É impressionante como certos ditames são vendidos de forma tão incisiva e aprendemos desde cedo o que é feio ou o que é bonito. Sinceramente, aí é onde nasce o preconceito. O que você deve ser, em quais grupos você deve fazer parte. O que você não pode querer para a sua vida e o que deve querer para a sua vida. Pensar de tal maneira é errado, mesmo que massacre a subjetividade do outro.

É engraçado como quando o menininho fala que tem seis namoradas na escola e todo mundo bate palma, até a mãe, achando o filhinho dela o máximo. Quando a menina fala que tem um, é normalzinho, afinal qual menina não adora um romance desde cedo?Mas quando tem dois namorados, três? Tem que ligar para escola e ver o que está acontecendo.

Bem, voltando à questão da criança inicial, minha namorada disse “olha o nome dela aqui, agora você pode falar o nome dela”. A resposta foi satisfatória “tá bem”, e continuou, e quando repetiu, falou o nome dela. Acredito que a menina percebeu o velado “corte”. É uma pena que os próprios pais não se importam com esse tipo de reprodução da filha, porque, como repetirei, é a essencial desculpa esfarrapada: “é algo bem normal, ainda mais vindo de uma criança”. Eu poderia citar caso extremo de bullying, do estilo estadunidense, mas a gente prefere achar que eles são só um povo louco. Porém é aquela coisa, né. Quando não estamos na pele do oprimido, tanto faz como tanto fez. Achamos que tudo é exagero e que uma brincadeirinha qualquer não faz mal, afinal chato é quem não tem senso de humor.

Falando em senso de humor, o #lingerieday soou algo muito engraçado mesmo, especialmente para as mulheres. Nada contra a menina que se dispor a esse papelão. Realmente deve ser muito bom pro ego de uma dita gostosona, ou que pelo menos acha que está inserida no grupo das mulheresdemais, posar numa foto demente com roupas íntimas e todo mundo ver. É claro que se uma dessas não receber nenhum comentário, a mesma vai pirar. Obviamente, vai ter um monte imbecil elogiando e pedindo mais fotos, digitando com uma mão só, ou até mesmo um monte de imbecil esculhambando querendo evocar alguma pala moralista.

Se for para atacar de moralismo, convenhamos que moralismo de chamar alguém de piranha por isso ou aquilo, é pura perda de tempo, preconceito imbecil. Mas vamos ao “moralismo” (a palavra realmente não é essa), de entender que uma criação idiota de um dia como esse é a insistência de coisificação da mulher. E o pior é quando a mulher se convence que não está sendo coisificada, e sim, valorizada, já que pode também ter um tal de “#cuecaday”. O processo é simples, uma legião de punheteiros enjoaram das revistas e sites que sempre apresentam o antigo e trivial conteúdo artificial e estão atacando ferozmente com vídeos caseiros, em que normalmente o protagonista é sempre o homem, e a mulher, por mais namoradinha ou fiel (dentro da “normalidade” social) que fosse, é sempre a vagabunda que faz sexo oral e vaginal. Coisa que a sua mãe, por incrível que pareça, nunca deve ter feito com seu pai. Mas, tá, continuando. Como as desconhecidasnamoradadosoutros nuas perderam a graça, o legal é ver a sua coleguinha que você conversa seminua, sob o pretexto de ser um desafio e uma boa forma de receber elogios, sem esquecer que teremos o nosso dia só de cueca, para compensar a exposição principal.

Veja bem, nem entro na discussão de quem participa desse tipo de “brincadeira” desvaloriza-se ou não. O meu ponto é o fato indiscutível de haver uma coação a quem não se interessa em participar. Não tenho dúvida que rolará comentários tipo “não quis participar porque é feia, gorda, peluda”. Lembrando que posso até não ter dados concretos, mas não consigo não pensar que a construção da ditadura da beleza em cima do sexo masculino é mais frágil do que a veemência da ditadura da beleza em relação às mulheres. Logo, boa parte dos homens não se importariam em aparecer de cueca, sendo de fio-dental ou sambacanção, para o homem, no final tudo será uma grande brincadeira e a questão do ego só seria importante em homens que se importam em ser visto como “sarado”. O “ridículo” para o homem poderá ser levado com a naturalidade de uma brincadeira. E nem preciso dizer que quanto à mulher, a palavra “ridículo” não significa o mesmo.

Bem, acho que preciso de me matricular numa academia…

reproducción.

Publicado por: joaquimfsneto em: julho 23, 2009

Hoje em dia está mais fácil de reclamar de qualquer coisa. As pessoas andam esquecendo (ou deixando de aprender) que nenhuma liberdade é absoluta (lembro-me de que uma vez eu li que a única liberdade absoluta que temos no Brasil é a liberdade de pensamento – engraçado, certo?). Isso mesmo, nenhuma é absoluta. Qualquer liberdade pode ser relativizada. A liberdade de expressão, a que eu falo no momento, é relativizada pelo Código Penal, no capítulo de crimes contra à honra. E, é claro, também é relativizada pelo BOM SENSO. Sim, não seja um paspalho achando que você pode falar o que quiser, sobre qualquer pessoa. Sob o pretexto dessa liberdade de expressão, que banalizaram de uma forma cruel, e sob as mídias que estão cada vez mais fáceis de se acessar, um lindo trouxa fala qualquer merda, por se achar no direito de não ser “censurado”. Nem vou comentar largamente sobre os babacas que se escondem atrás de “fakes”, esses realmente desconhecem a norma constitucional que confere o direito de liberdade de expressão, essa que VEDA o anonimato.

Algo que me deixa bastante contrariado é o fato das pessoas “dizerem o que pensam”, inclusive em espaço físico, deliberadamente, como se qualquer um fosse obrigado a ouvir e gostar de ouvir. O torturante é saber que muitas vezes você está sozinho em certa opinião e você é obrigado a ficar quieto, para não, literalmente, levar uma pedrada na cara. E o que me irrita, muitas vezes, é a reprodução suja e mal lavada do que ouviu do papai, da televisão ou de qualquer outra pessoa ou coisa em que parece existir algum tipo de veneração. Obviamente, não estou dizendo que não reproduzo nada desse estilo, até porque às vezes recebo uns puxões de orelha, a questão é que esses “reprodutores”, além de normalmente “falarem demais por não terem nada a dizer”, estão seriamente convencidos de que aquilo que dizem consiste em uma verdade inalterável e que é comprovado por isso e aquilo.

Mas, para mim, esse assunto trás vários paradoxos. Por exemplo: o respeito é pregado a toda hora, com qualquer pessoa, etc e tal. Na hora de respeitar, o buraco fica mais embaixo. As piadas antigas eram mais escrachadas com negros e homossexuais, hoje em dia são piadas bem veladas. De qualquer modo, o tipo de piada que é vendida, é preconceituosa de qualquer jeito. Piada de gordo, feio, burro. Não se explora mais o “negativo”, mas explora-se o “positivo”. E, já posso sair do âmbito das piadas e falar da mídia em geral. Homens bonitos são de tal jeito, mulheres bonitas são de tal jeito. O homem tem que gostar de mulheres, a mulher tem que gostar de um homem. O homem pensa num rabo, a mulher pensa em ter casa e filhos. Homossexuais se beijando na televisão são eventos superesperados pela sociedade e cena de sexo às 17h é algo corriqueiro. heterossexo, obviamente.

Agora, voltando à liberdade, boa parte das pessoas se acham muito certas enquanto apenas reproduzem. Se sentem superiores por serem “democraticamente” corretas e esquecem de uma palavrinha chamada “dignidade”. Simplesmente ignoram que alguém, numa seara individual, pode ficar profundamente contrariado. É importante ressaltar que esse cara “profundamente contrariado” pode ser você um dia. E eu digo assim, num tom exagerado de você, contrariado, tentar algo extremo para se afirmar, ou até mesmo, não querer se afirmar mais.  Exagerado?

Essa coisa de naturalizar o que é cultural é realmente algo assustador. Ainda mais quando você assiste ou lê que as mulheres biologicamente têm predisposição para fazer serviços domésticos, porque afinal, na Idade da Pedra, elas cuidavam das proles, dentro das cavernas e esperava o super progenitor macho alfa voltar com a caça nossa de cada dia. Isso quando não tentam justificar esse tipo assunto com passagens bíblicas, ou com qualquer outro cunho religioso ou mitológico. Não é plausível dizer que essa coisa toda é fruto de uma sociedade patriarcal, machista e que pode reverter, obviamente não de uma hora para outra, mas o fato é que já está revertendo aos poucos. O engraçado é que o desespero é tamanho e tenta-se botar na cabeça das pessoas que certas tradições não são à toa, afinal, Deus disse isso e aquilo. Sem esquecer da sábia lógica (pseudo)científica.

O problema daquela frase “seja a mudança que você quer no mundo” é que se você mudar, geralmente é você quem se dá mal e o mundo continua na mesma merda. Você sempre é tratado como a formiguinha que quer encher o saco. Não se pode nadar contra a corrente, senão você é ridículo. Mas tem a parte que o fingimento é muitas vezes inevitável. Se não fingir, de pouca voz, você vai para zero voz. Em minha opinião, são poucos os iluminados que se impõem logo de cara e têm a sorte de continuarem vivos. Até porque, muito desses quando não têm suas vidas ceifadas, são silenciados de maneiras muito mais eficazes do que a morte. Nem falo isso num âmbito muito grande. Falo isso até na dimensão dos coleguinhas do dia a dia. É complicado sobreviver pensando diferente. Isso porque muitas vezes esse diferente é tentar ser menos preconceituoso, sexista, racista. Às vezes eu fico perplexo de ouvir frases do tipo “mas é só fazer tal coisa…”, “mas se fosse de tal maneira…”. Quando a palavra sai da boca e vai para a vida real, para a prática, para o “vamos ver”, o que parece tão certo, pode parecer (ser) errado para seis bilhões de pessoas.

Fala lá para os árabes e judeus daqueles lados do Oriente Médio que a guerra deles é sem sentido. Você pode ter certeza que tanto o árabe quanto o judeu cuspirão nos seus olhos e não importa em qual paz você acredita. Amigo, a guerra é sem sentido pra você. É sem sentido pra mim. E para todo mundo que não nasceu ouvindo que um lado merece morrer, que são baratas podres, e todo tipo de maldição eterna. Inclusive, a nossa guerra de morro e polícia não deve ser muito bem entendida por eles, afinal, tanto o policial quanto o bandido professam, em regra, da mesma doutrina. Mesmíssima, eu diria, mas isso é outro assunto (não que eu não tivesse fugido completamente do assunto do início). A questão é que aqui, temos todos tipos de programas de televisão e notícias de jornal que satanizam a bandidagem e, obviamente, a bandidagem têm as suas maneiras de satanizarem o policial, além das promessas de vida muito melhores, que eu poderia comparar às mil virgens. Muita gente se ferra, entretanto tenha certeza que alguéns levam um lucro nisso tudo.

Enfim, qualquer coisa é dita, pouca coisa é filtrada, muita coisa é naturalizada. E a reprodução de ideias ruins passam de geração à geração, mantendo o maravilhoso e inquebrantável statu quo.

Vai uma Ruffles?

Joaquim Bolseiro.

Publicado por: joaquimfsneto em: julho 22, 2009

Mais um. Interessante é que nunca demorei tanto para conseguir achar um nome. Acho que é a primeira vez que não procuro por “joaca”. Inclusive, nem sei se esse famigerado nome está disponível. Quem sabe está, a questão é que o “joaca” talvez não tenha tanta vontade de se expressar como tinha antigamente. Er…

Nunca consegui emplacar com nenhum blog e se eu for pensar em “culpa”, admito que, modéstia à parte, não acho que o que eu escrevo seja ruim, eu simplesmente tenho uma preguiça fenomenal de escrever e, qualquer coisa que eu acho interessante durante o dia, eu simplesmente esqueço. E, adentrando ao delicioso e antiquado papo do “ego”, sobre ser super visitado e super comentado, aprendi com fotolog que, para ter “comentários” e “visitas”, era necessário um trabalhoso processo de comentar e visitar o fotolog dos outros, um por um. Eu até gostava daquilo e sinceramente nem pensava em “retorno”, leia-se “comentários”, até porque só fui perceber que tinha tanta gente interessada no meu fotolog porque eu era interessado no fotolog dos outros (não estou dizendo que esqueci das minhas fotos panacas). No fim, para mim era uma higiene mental. Para outros, como já fiquei sabendo por pessoas mais próximas, eu me achava e uma outra gama de adjetivos e características que só MUITA atenção em algo ou alguém podem justificar.

Fiz esse novo blog porque, hum, vejamos, quis. Como aqui no estágio eu tenho um certo tempo ocioso, comecei a ler blogs e fico surpreso de nunca ter feito isso antes. Minha namorada sempre recomendou uns blogs, todos muito bons, mas a minha leitura bloguífera nunca se tornou frequente, nunca tinha parado para “acompanhar” alguém. Resolvi fazer esse, quem sabe, para demonstrar certos inquietamentos, aventuras, notícias do meu interesse e, principalmente, arquivamento de pensamentos pessoais. Guardar coisas em papel, normalmente, além de dar trabalho, estragam ou se perdem com o tempo. Aqui na internet não, se por acaso esse servidor fechar, espero que eles me mandem tudo por email. Lembro-me que alguns servidores das antigas, quando iam fechar, faziam isso. Quando eu era moleque gostava muito de armazenar arquivos e fazer sites de bobeira. Fora que aqui todo mundo pode ler o que eu escrevo e caso eu pare de existir por algum motivo, certas coisas vão ficar fantasmagoricamente impregnadas nesse cemitério infinito.

Bem, está quase na hora de eu sair daqui. Expediente termina às 18h.

Será que vinga?


  • Nenhuma
  • paulamaria: Mas é claro que liberdade de expressão é falar o que eu quero, e tenho também o direito de ir e vir, e ainda: somos todos iguais perante a deus.
  • paulamaria: Acho que podemos comprar nossa lingerie pro #lingerieday juntos, quecêacha? help. teamo!
  • paulamaria: Espero que vingue. Acho o blogue um bom exercício mental. :) teamo e boa sorte na jornada blogueirística. beijos beijos

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